segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cai o Rei de Ouros, Cai o Rei de Espadas, Cai o o Rei de Paus, Cai não fica nada

Um personagem, aluno da Escolinha do professor Raimundo, do consagrado Chico Anísio, para se esquivar da pergunta embaraçosa, repetia o bordão “sem crise, mestre”, “sem crise, mestre”.

O Brasil fora do espetáculo humorístico, mas sob o foco da ribalta que ilumina por trás dos panos o cenário do podre poder, a cada dia que passa cresce em repulsa a governantes e políticos em todos os níveis envolvidos na onda gigante da corrupção.

O resultado das eleições deste ano de 2016 para prefeitos e vereadores demonstrou de forma veemente que o povo eleitor está acompanhando o desenrolar dos acontecimentos sem a participação dos que se consideram “formadores” de opinião, particularmente da TV aberta. Isto, graças à exposição feita após o cumprimento dos mandados judiciais pelos representantes da Polícia Federal, Ministério Público e Receita Federal.

Esperneando, quando foi alvo de semelhante transmissão, o ex-presidente Lula, que virou réu por corrupção e lavagem de dinheiro, declarou que as acusações contra ele são uma farsa, grande mentira e grande show de pirotecnia. Já o juiz Sérgio Moro, entendeu que “Presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, recebo a denúncia contra os acusados.”.

Que bênção essa pirotecnia! Levantou o tapete e mostrou o lixo que lá estava, saciando o voraz apetite de ratos, moscas e baratas. E, tantas larvas que proliferaram na fétida composição ao longo do tempo, aproveitando o lauto banquete. Rico lixo. Lixo rico. Engorda e faz crescer a pança e o patrimônio.

Dos mais recentes presos, os ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Sérgio Cabral.

Quem poderia imaginar nos tempos passados de tanta impunidade, que “autoridades” desse nível fossem acusados, presos e expostos nas telas de televisão. Eles próprios deveriam ter tanta convicção que desafiavam o próprio ego e arrostavam a sociedade perambulando nos caminhos mundanos; mansões, carrões, hotéis e restaurantes luxuosos ao extremo a comemorar a repartição do butim.

Ora, citada a obra do Maracanã no meio do prejuízo de 220 milhões de reais, mesada/propina/mensal de 500 mil reais, vem à mente o despropósito de colocar no chão o simbolismo do Maior Estádio do Mundo. Estádio que tinha sido recuperado pouco antes da Copa. Está explicado, R$ 1,5 bilhão. Fazer um novo, custou os olhos da cara, como se diz? Não! Não custou somente os olhos da cara, mas a vida de muitos que morreram à míngua nas portas dos hospitais.

São impiedosos como governantes, sabendo que deles depende toda uma população em especial os mais carentes. Não é que nem o PAC das Favelas, R$ 1,14 bilhão, ficou fora da boquinha do grupo criminoso.

Resultante da festa de arromba, obras desnecessárias, Copa do Lula injustificável, má administração, a falência do Estado, agora nas mãos do governador Pesão, que divide o pagamento dos seus servidores em sete vezes.

Como disse a Cartomante de Ivan Lins, “Cai o rei de Espadas, Cai o rei de Ouros, Cai o rei de Paus, Cai, não fica nada.”

Foi assim. Antes, caiu a “presidenta” Dilma por conta do crime de responsabilidade, caiu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso e tendo o dissabor de ver a esposa prestar depoimentos em juízo. Ex-ministros presos como José Dirceu (Gabinete Civil com Lula) e Antonio Palocci (da Fazenda com Lula e Gabinete Civil com Dilma).

Já caíram reis, a rainha e até valetes, sem crise, como diria o Patropi da Escolinha do Prof. Raimundo. A revolta é tão grande no peito do cidadão e da sociedade, que dez, vinte ou trinta apoiadores dos criminosos não vão abalar os alicerces do gigante país continente.

Provavelmente, cairão outros reis. E aí vai chegar vez do Coringa. Que será sem crise, mas certamente com protesto de aliados, seguidores e remunerados, com queima de pneus pelas avenidas e escolas ocupadas.

Nada que a polícia e a Justiça não possam conter. Nada que possa desencorajar as instituições e afetar a tranquilidade do presidente Temer para governar. Os intocáveis não serão eternos.

Ernesto Caruso

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