quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CorrupSão Paulo - Aurélio Miguel recebia mesada, acusa fiscal

Diário de S. Paulo
DivulgaçãoAurélio Miguel já tinha sido acusado de receber propina
Novamente sem apresentar provas, o auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos afirmou ao Ministério Público que o vereador Aurélio Miguel (PR) também recebia dinheiro da máfia do ISS mensalmente.

No mesmo depoimento, dado na tarde de terça-feira, Barcellos, que deixou a prisão na semana passada, já tinha acusado o ex-secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Antonio Donato, de ganhar uma mesada da quadrilha.

Os pagamentos a Donato teriam acontecido de dezembro de 2011 a setembro de 2012 e eram feitos no gabinete dele na Câmara. O petista pediu afastamento do cargo horas antes de a acusação vir à tona.

Segundo o promotor Roberto Bodini, que fez um acordo com Barcellos, o fiscal afirmou que o chefe do grupo, Ronilson Bezerra Rodrigues, fazia repasses mensais ao vereador. Aurélio Miguel negou as acusações.

Ao contrário de Donato, que, segundo Barcellos, recebeu R$ 20 mil por mês, o fiscal não detalhou o valor pago ao parlamentar  do PR. “Ronilson teria falado (a Barcellos) que dava dinheiro para o Aurélio Miguel”, confirmou o promotor.Para Bodini, os detalhes passados pelo auditor são reveladores. “Foi um depoimento esclarecedor, confirmou detalhes da existência do grupo, detalhes de  só quem vivenciou a organização poderia nos dar”, disse ao “SPTV”, da TV Globo.

Barcellos também confirmou o que já tinha dito   Luis Alexandre Cardoso Magalhães, outro fiscal preso que fez acordo com o MP: cada um dos quatro integrantes do grupo chegou a arrecadar R$ 1,1 milhão por ano com a cobrança de propina de construtoras e incorporadas. Para a promotoria, isso reforça que os desfalques nos cofres da Prefeitura podem superar  R$ 500 milhões.

Construtoras ofereciam dinheiro em troca de ‘ajuda’

Eduardo Horle Barcellos negou que as construtoras eram pressionadas pelos fiscais a pagar propina. Segundo o auditor corrupto, acontecia exatamente o contrário: as empresas procuravam os integrantes da quadrilha para pedir benefícios e davam dinheiro em troca.

“O mais interessante é que, em um trecho, Barcellos diz que não seria possível uma imposição frente a uma grande empresa que teria a possibilidade de se socorrer com o próprio prefeito. Bateria na porta do prefeito e relataria o ocorrido”, disse Bodini.

O nome do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) não foi citado. No início da semana, uma testemunha tinha dito que empresas da construção civil pagavam mensalmente aos fiscais para ter garantidos seus interesses.

Elas, assim, recebiam uma espécie de  atendimento VIP e tinham seus pedidos atendidos com mais agilidade. Pelo menos uma incorporadora, a Brookfield, já admitiu ter pago R$ 4 milhões de propina.

O Secovi (sindicato do setor imobiliário) diz não ter como  obrigar as empresas do setor a denunciar possíveis achaques por parte dos fiscais.

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