terça-feira, 15 de outubro de 2013

A metamorfose - Caso Feliciano


Foto do pastor Marco Feliciano no Instagram vira piada nas redes sociais Reprodução de internet
Foto do pastor Marco Feliciano no Instagram vira piada nas redes sociais Reprodução de internet

A grande maioria dos eleitores brasileiros não tem a menor ideia de como são eleitos os 513 deputados federais, estaduais e vereadores. O motivo é simples: as eleições para a Câmara dos Deputados, Assembleias estaduais e Câmaras de Vereadores são as menos transparentes.
A eleição para presidente, governador, senador ou prefeito é chamada de majoritária: vence quem tem mais votos. A eleição para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores é chamada de proporcional e, neste caso, nem sempre o mais votado vence. O sistema é complicado, difícil de entender. É uma caixa-preta para a maioria absoluta dos brasileiros. Muita gente teoricamente bem informada não tem a menor ideia de como funciona o sistema. Não sabe, por exemplo, que o voto para deputado conta primeiro para o partido e depois para o candidato.
E por que isso acontece? Em primeiro lugar, porque a eleição proporcional se baseia em cálculos complicados e numa metodologia incapaz de ser decifrada até mesmo pelos eleitores com maior grau de escolaridade. Privilegia a matemática dos quocientes eleitoral e partidário em detrimento da simplicidade. Em segundo lugar, porque a Justiça Eleitoral não divulga as regras com clareza e simplicidade. Sua preocupação sempre foi ensinar o eleitor a usar a máquina de votar, ou seja, o ato mecânico de apertar os botõezinhos.
A falta de informação sobre as regras para a eleição de deputados e vereadores tem produzido enormes distorções no nosso sistema representativo. Permite que, pela falta de informação, o eleitor caia em armadilhas e acabe levando ao parlamento quem não o representa.
Veja o caso do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Ele obteve em 2010 nada menos que 211 mil votos. Não atingiu o quociente eleitoral daquela eleição, que em São Paulo foi de 305 mil votos. Portanto, veio “puxado”, como se diz no jargão eleitoral. Os protestos contra ele, sua resistência em deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos e a publicidade em torno do episódio podem transformá-lo em puxador de votos na próxima eleição. O PSC estima que sua votação poderá no mínimo triplicar. Se Feliciano fizer 600 mil votos, trará com ele mais dois dos seus pastores. Se chegar a 900 mil, serão três.
A falta de conhecimento sobre como funciona o poder no Brasil pode acabar fazendo com que protestos justos, porém sem uma boa estratégia, transformem um político desconhecido em campeão de votos. Uma metamorfose e tanto para quem até outro dia era uma galinha morta no parlamento. Se os adversários de Feliciano conhecessem bem nosso processo eleitoral, certamente optariam por uma estratégia diferente e, quem sabe, também mais inteligente. O grande Joaquim Francisco de Assis Brasil dizia, no século 19, que eleição boa é a que tem regras claras. Nós estamos no século 21 e nada disso aconteceu.

Por Marcelo Tognozi, colunista da Revista VOTO.

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