sábado, 21 de setembro de 2013

Roubalheiras como sempre - ELES não tem competência pra impedir e provavelmente participam dela

Polícia Federal liga assessor do ministro da Previdência a esquema criminoso

Quadrilha é acusada de pagar propina a prefeitos para captar investimentos de fundos de pensão municipais
Fábio Fabrini, Andreza Matais / Brasília, Fausto Macedo / São Paulo


A Polícia Federal acusa um assessor do ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB-RN), de envolvimento com a quadrilha suspeita de pagar propina a prefeitos para captar investimentos de fundos de pensão municipais. Relatório da Operação Miqueias, obtido pelo 'Estado', diz que Gustavo Alberto Soares Filho, auditor da Receita Federal que trabalha no Ministério da Previdência como assessor da Diretoria do Departamento dos Serviços de Previdência no Serviço Público, mantinha contatos com a organização investigada e frequentava uma das empresas apontadas no esquema, a Invista Investimentos Inteligentes, tendo sido fotografado numa dessas visitas, em outubro do ano passado. A Polícia Federal já pediu a prisão temporária do Gustavo Soares.
Na sexta-feira, 20, o 'Estado' revelou que, segundo as investigações, um assessor da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) atuava como lobista da quadrilha, tendo feito negociações dentro do Palácio do Planalto. Idaílson Vilas Boas foi exonerado após a publicação da reportagem.
Para a PF, há "indícios suficientes" de que o auditor Gustavo Alberto Soares Filho praticou os crimes de formação de quadrilha e de atuar ou exercer atividade, sem autorização, no mercado de valores mobiliários. Com base nos grampos e em documentos da operação, o relatório sustenta que o assessor mantinha negócios com o grupo investigado e participava de palestras realizadas para cooptar prefeitos. Ele aparece também em anotações do doleiro Fayed Traboulsi, preso sob a acusação de chefiar o esquema investigado.
"Fica evidente o vinculo de Gustavo com a organização criminosa que atuava sob o manto da Invista. Ele próprio confirma que já trabalhou lá", afirma a PF, baseada nos diálogos interceptados.
Segundo o relatório, um dos contatos do assessor era Carlos Eduardo Carneiro Lemos, o Dudu, conhecido como operador de fundos de pensão. Dudu assumiu em maio a propriedade de R$ 450 mil apreendidos de dois homens no Aeroporto Juscelino Kubitschek, que tentavam passar com o dinheiro escondido em suas meias e cuecas
Numa das conversas transcritas no relatório, ocorrida dias após o episódio, o assessor consulta um colega da Receita sobre como justificar a origem de R$ 20 milhões, supostamente para orientar Dudu. "Saliente-se que esses fatos foram posteriores à apreensão dos valores em espécie apreendidos em poder de 'mulas' no Aeroporto JK, já mencionado outrora, e que foi solicitado a Dudu que apresentasse sua declaração de ajuste fiscal", relatam os investigadores.
Gustavo foi procurado neste sábado pelo 'Estado'. A ligação de celular foi interrompida assim que a reportagem informou sobre o assunto do qual gostaria de tratar. O Ministério da Previdência informou que aguarda comunicação oficial da PF para tomar providência a respeito, possivelmente a exoneração do assessor.

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