terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fumar maconha dentro da USP pode, mas cumprir as leis do País, é probido

Sérgio Pires
A inversão de valores, a troca do certo pelo errado; o desrespeito às leis que regem uma sociedade; à Justiça, à polícia, às autoridades legitimamente constituídas: tudo isso vem ocorrendo no Brasil, em tamanho cada vez maior. Por trás de toda essa situação, não há outra explicação, senão a mais incrível impunidade que campeia em todas as áreas. O caso dos estudantes da USP, em São Paulo, é mais que sintomático. Primeiro, atacados por bandidos dentro do campus, alunos, professores e reitoria exigiram a presença da Polícia Militar, para dar mais segurança. A PM atendeu. Mas quando policiais flagraram dois estudantes enrolando seus cigarros de maconha (afinal, usar drogas ainda é proibido nesse país), aí a polícia foi impedida de agir. Imaginando-se acima da lei, querendo ser mais que qualquer outro brasileiro que, se pego fazendo seu cigarro de maconha ou fumando, é preso na hora, centenas de alunos da USP não aceitaram a detenção dos maconheiros. E partiram para agredir os policiais. Tomaram um dos prédios da reitoria, ameaçaram jornalistas, cobriram os rostos como o fazem os bandidões que promovem rebeliões em presídios e exigem isso, exigem aqui. Só falam em direitos. Nem um deles lembrou que há também deveres de cidadania que precisam ser cumpridos, numa sociedade democrática.

A culpa toda é de um Congresso pífio, de uma sucessão de governos demagogos, de um Judiciário que está muito mais preocupado com o próprio umbigo. Todos parecem ter se unido para defender os direitos de todo o mundo, mas ninguém clama pelos deveres e responsabilidades. Isso tudo canaliza para um sentimento geral de impunidade, em que cada um faz o que quer, sabendo que jamais será punido. Não há nada mais antidemocrático que isso. Pelo andar da carruagem, estamos começando mesmo a viver a ditadura das minorias, sob a mais escancarada omissão das autoridades, que já se viu na recente história desse país.

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