quinta-feira, 4 de novembro de 2010

IDH - Variável 'educação' puxar IDH para baixo

O Brasil subiu quatro posições entre 2009 e 2010 e foi o país que mais avançou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) divulgado nesta quinta-feira (4) pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud). Nenhum outro país registrou uma variação tão grande, sendo que a maioria das nações permaneceu estagnada.

"Os números do Brasil em relação a expectativa de vida, por exemplo, mostram que o país teve uma evolução muito rápida. Isso é importante. Quando a gente olha para a renda, houve uma estabilidade durante os anos de crise (2008 e 2009) e agora a renda per capita já subiu mais de US$ 600. Os dados da educação também mostram um grande avanço. A perspectiva era de 7,2 anos de estudo para brasileiros acima de 25 anos. Hoje é de 13,8 para quem está entrando agora na escola. O sistema educacional está sendo transformado, embora ainda falte bastante para o país entrar no grupo do IDH muito alto", analisou o economista do Pnud, Flávio Comim.

Segundo ele, não existe uma causa específica para o avanço do Brasil. O bom desempenho é um reflexo do crescimento equilibrado e constante registrado nos últimos anos. "É importante olhar para esse modelo do Brasil, onde não se cresce muito em uma área, mas se cresce de forma geral e consistente", disse o economista.

O Relatório de Desenvolvimento Humano aponta, no entanto, que os resultados referentes à área da educação puxaram para baixo o índice brasileiro, que ficou abaixo da média latino-americana, de acordo com a nova metodologia aplicada.

A população brasileira registra 7,2 “anos médios de escolaridade” entre os adultos, e 13,8 “anos esperados de escolaridade” para as crianças. Os dois valores entram no cálculo do IDH – e nos dois o Brasil vai pior do que os vizinhos Chile (9,7 e 14,5), Argentina (9,3 e 15,5), Uruguai (8,4 e 15,7) e Peru (9,6 e 13,8).

Na comparação exclusiva com Peru, estes resultados foram o elemento decisivo para que o Brasil tivesse um IDH mais baixo que o país andino, já que a expectativa de vida é semelhante, e a Renda Nacional Bruta per capita peruana é mais baixa do que a brasileira. Esses dois dados entram junto com as variáveis da educação no cálculo do índice.

Uma simulação feita a partir do banco de dados do Pnud (http://hdr.undp.org/en/data/build/) confirma que entre os fatores renda, saúde e educação, é no último que os brasileiros têm desempenho mais fraco. Se o IDH levasse em conta apenas a questão da escolaridade, a posição do Brasil no ranking mundial passaria de 73 para 93

"A situação dos outros países não mudou desde que o primeiro IDH. O que mudou foi a distância do Brasil para os outros países. A Argentina registrou um IDH alto 20 anos antes do Brasil e hoje o Brasil está na mesma categoria. Existe um atraso histórico do Brasil que vem mudando nos últimos anos, especialmente porque a pobreza diminuiu", explicou Comim.

Segundo ele, países como o Peru e a Guatemala podem ser mais pobre em termos de renda, mas são mais avançados no sistema educacional, por exemplo. "No Brasil, existe um nível superior de excelência, mas o resto da educação é ruim. Há muita desigualdade", disse.

Cálculo do IDH

Desde sua formulação original, o IDH é calculado a partir de três pilares: educação, saúde e renda. No entanto, a partir de 2010 o Pnud atualizou a metodologia de cálculo com o objetivo de conseguir resultados mais precisos.

A medição da saúde não sofreu alterações, e ainda é avaliada a partir do indicador “expectativa de vida”. No caso da educação, a antiga variável “alfabetização” foi trocada por “anos médios de estudo”, e o dado “matrícula” foi substituído por “anos esperados de escolaridade”

A medição do padrão de vida também sofreu alteração: o antigo Produto Interno Bruto per capita foi trocado pela Renda Nacional Bruta per capita, que leva em conta renda enviada e recebida do exterior.

Outra novidade é que as três notas normatizadas não são mais agregadas com média aritmética simples, ou seja, somando-se todas e dividindo o resultado por três. Agora, os índices parciais são multiplicados e o resultado é submetido a radiciação cúbica, na chamada média geométrica.

A vantagem matemática é que países com resultado moderado nos três índices obtém nota final maior do que países com resultados parciais muito desiguais.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anônimos não serão publicados