sábado, 23 de outubro de 2010

Sob a névoa do lulismo

O sucesso do lulismo, a personificação dos avanços do Brasil na figura do presidente, esconde um fenômeno mais duradouro, importante e positivo: o apoio popular à estabilidade econômica.
Sérgio Malbergier
Mais do que a mágica do presidente, é esse apoio à manutenção do modelo econômico que está dando a vitória a Dilma.

A estabilidade dos anos FHC-Lula foi o maior valor agregado à nossa economia desde a Revolução Industrial de Getúlio Vargas. Ela melhorou a vida dos brasileiros em todos os níveis da pirâmide social.

A estonteante aprovação de Lula se deve primordialmente à manutenção da estabilidade econômica. Foi isso, inclusive, que lhe permitiu aumentar o salário mínimo e canalizar recursos aos programas sociais.

Uma vitória de Dilma Rousseff será o último grande (enorme!) troféu de Lula. Mas é o apoio popular à estabilidade que garante votos decisivos a ela.

A maior parte do eleitorado vê a continuidade econômica mais em Dilma do que em Serra. O Datafolha perguntou aos eleitores (em 14 e 15 de outubro): Quem é mais preparado (a) para ser presidente? 49% disseram Serra, 39% disseram Dilma; embora a pesquisa de intenção de voto apontasse Dilma à frente - 47% a 41%. A maioria dos eleitores ainda disse achar Serra mais experiente e inteligente do que Dilma.

Mas ela ganhava em três atributos decisivos: manutenção da estabilidade econômica, combate ao desemprego, defesa dos pobres.

Famílias de baixa renda, a maior fatia do eleitorado, que antes lutavam todo fim de mês para fechar as contas com a inflação de 30%, agora vão ao paraíso das compras em 30 vezes, do carro no portão, do registro na carteira, da confiança no futuro, da viagem de avião.

Não é o aborto, não é a corrupção, não é a privatização ou a estatização. É a manutenção do país no trilho da estabilidade, o consenso fechado por Lula em torno da economia de mercado que anulou a letalidade da esquerda quando ela chegou ao poder.

O momento histórico de Lula já está passando. E o fim da Era Lula está muito mais ligado ao que veio antes (anos FHC) do que ao que virá depois. O intelectual e o operário, inteligentemente eleitos por uma população pouco educada, foram expoentes máximos dos seus movimentos políticos, os pais fundadores do novo Brasil. Um complementou o outro, e chegamos até aqui.

Nosso maior ativo é a estabilidade. Não se iluda pela névoa do lulismo: é ela (ou o apoio ao candidato que a defende melhor) que está definindo a eleição.

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