segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ninguém pode pensar em amordaçar a imprensa

Senadora eleita no Rio Grande do Sul, a jornalista Ana Amélia Lemos promete lutar para evitar a criação de algum organismo de controle da mídia. Ligada ao setor produtivo gaúcho, ela defende o projeto de Código Florestal de Aldo Rebelo

Divulgação
A senadora eleita Ana Amélia (PP-RS) defende a imprensa livre e o setor primário, especialmente os médios produtores rurais

Rudolfo Lago

“Onde está escrito que o eleitor tem de votar em político?”, desafia a jornalista Ana Amélia Lemos. Durante 33 anos, os telespectadores gaúchos acostumaram-se a ver Ana Amélia na televisão. Ela foi uma das primeiras mulheres do país a exercer na TV a função de comentarista econômica. Em 1977, foi contratada pelo grupo RBS para apresentar o programa Panorama Econômico, o primeiro programa televisivo sobre economia da região Sul. Como ela mesma diz, na função de jornalista ao longo desse tempo, posicionava-se em favor de temas de importância no estado. Com fortes ligações com o setor produtivo gaúcho, casada com o ex-senador gaúcho Octávio Omar Cardoso (senador entre 1983 e 1987), Ana Amélia, como jornalista, sempre esteve próxima da política. Em março deste ano, ela tomou a decisão de, pela primeira vez, passar para o outro lado do balcão.

A decisão de Ana Amélia causou um reboliço entre os políticos tradicionais do Rio Grande do Sul. Ela entrou numa disputa apertada com os veteranos gaúchos Germano Rigotto, do PMDB, e Paulo Paim, do PT. Acabou desbancando Rigotto, e elegendo-se senadora com 3,4 milhões de votos.

A origem humilde e a formação política conservadora produziram em Ana Amélia que pode produzir resultados pouco previsíveis no Senado. Ao mesmo tempo em que ela está relacionada aos setores que defendem o agronegócio, tem fortes preocupações sociais, ligadas principalmente à educação. Filha de um carpinteiro e de uma merendeira, a jornalista gaúcha de 65 anos só conseguiu estudar graças à ajuda do então governador Leonel Brizola. Ela própria escreveu uma carta a Brizola e conseguiu, assim, uma bolsa de estudos. Por isso, quando estudantes com bolsa do Enem ficaram inadimplentes por conta das condições de pagamento de seus financiamentos, ela tomou o problema para si e pessoalmente procurou o Ministério da Educação e políticos para negociar melhores condições para os estudantes.

Ana Amélia iniciou sua carreira jornalística em 1970. Há 31 anos, na sucursal da RBS em Brasília, cobrindo a área econômica. Como jornalista, ela é radicalmente contra as propostas, defendidas pelo atual governo, de controle social do jornalismo. “Nos tempos atuais, não se pode pensar em amordaçar a imprensa. A liberdade é uma conquista e um direito inalienável dos brasileiros. As tentativas de cercear a imprensa fracassaram, felizmente”, diz ela.

No Rio Grande do Sul, o PP participou da mesma coligação do PSDB. E, assim, o candidato de Ana Amélia à Presidência foi José Serra. O que não significa, porém, falta de contatos com o grupo ligado à candidatura de Dilma Rousseff, do PT. Nesta entrevista ao Congresso em Foco, ela conta, inclusive, que recebeu um telefonema da própria Dilma cumprimentando-a pela eleição. É assim, nessa oscilação entre o tradicional e o novo, entre o social e o conservador, que Ana Amélia pretende buscar seu próprio caminho no Senado

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