quarta-feira, 12 de maio de 2010

Ficha Limpa afeta palanque de PT e PSDB

Se PT e PSDB cumprirem a promessa de não ter candidatos com ficha suja nas eleições de outubro, ambos vão ter de abrir mão de nomes significativos - , dentre eles, alguns já apresentados como pré-candidatos. A promessa foi feita pelos presidentes dos partidos, José Eduardo Dutra (PT) e o senador Sergio Guerra (PSDB), durante debate no auditório do Grupo Estado, na última segunda-feira, 10.
O Povo
É o caso do ex-governador da Paraíba e pré-candidato tucano ao Senado, Cássio Cunha Lima. Ele não poderia concorrer, já que foi cassado em última instância por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico e político, e deixou o cargo em fevereiro de 2009. Procurado pela reportagem, Cunha Lima não deu respostas.

No Maranhão, o PSDB negocia apoio do pré-candidato tucano à Presidência, José Serra, ao ex-governador Jackson Lago (PDT), que tentará voltar ao cargo do qual foi obrigado a sair em abril de 2009, depois de ser cassado também por abuso de poder.

Sua opinião sobre o Ficha Limpa é contraditória. Ao mesmo tempo em que diz apoiar o projeto, o ex-governador considera a possível inelegibilidade da sua candidatura ao governo do Maranhão "uma injustiça" sem precedentes. "No regime militar o sujeito era cassado por certo tempo e pronto. Agora, querem arrastar isso", disse Lago, julgado e condenado pelo TSE. "Todos sabem que qualquer cidadão tem o direito de se defender em no mínimo duas instâncias da Justiça."

Para o ex-governador, sua condenação foi "armação da oligarquia Sarney". Ele afirmou que pretende usar esse argumento para recorrer na Justiça em favor de sua candidatura, caso o projeto seja aprovado no Senado. "Somos (PDT) a favor do Ficha Limpa, mas ele não pode vir para fortalecer as oligarquias que trabalham em conluio com membros do governo."

Segundo ele, a aliança com o PSDB no estado deve ser fechada, em uma tentativa de enfrentar o provável apoio do PT à reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB). "Eu e Serra temos uma posição comum anti-Sarney e isso nos aproxima muito. Acredito que a aliança PDT e PSDB será muito forte no estado." Nacionalmente, o PDT apoia a pré-candidata petista Dilma Rousseff.

No estado do Tocantins, o PT perderia o aliado e amigo pessoal do presidente Lula, o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB). Ele foi cassado pelo TSE e deixou o governo em agosto.

"A responsabilidade de evitar que entrem na política aqueles que não deveriam estar na vida pública é dos partidos. São eles que devem cuidar da qualidade de sua representação e das alianças", disse Claudio Abramo, diretor executivo da ONG Transparência Brasil. "A lei de certa forma retira essa responsabilidade dos partidos, portanto, deveria ser do interesse deles orientar suas bancadas para que votem a favor do Ficha Limpa no Senado".

Há vários outros exemplos, como o do deputado Paulo Maluf (PP-SP), um dos principais opositores do Ficha Limpa. Ele está entre os parlamentares em exercício a ser declarado inelegível com a aprovação do projeto, por ter sido condenado pela 7.ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo a ressarcir suposto prejuízo com o superfaturamento de 1,4 tonelada de frango ao custo de R$ 1,39 milhão, pagos em 1996 pelo município de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Anônimos não serão publicados