sexta-feira, 12 de março de 2010

Senado brasileiro aprova moção em favor de presos cubanos


Resolução segue polêmica gerada por declarações de Lula a respeito da greve de fome de dissidentes
Estado de S. Paulo - Rolando Pujol/Efe
Guillermo Fariñas, há 15 dias em greve de fome, foi internado nesta quarta após desmaiar
A Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro aprovou nesta quinta-feira, 11, um "voto de solidariedade" aos presos de consciência cubanos, em meio a críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou prisioneiros políticos a bandidos comuns.
A moção em favor dos presos políticos foi apresentada pelo senador Artur Virgílio, do PSDB, que qualificou de "deploráveis" as opiniões manifestadas por Lula.
As declarações polêmicas foram feitas pelo chefe de Estado em uma entrevista à Associated Press, na qual o líder pediu "respeito" à justiça e governo cubanos e afirmou que "greve de fome não pode ser um pretexto dos direitos humanos para libertar as pessoas".
"Imaginem se todos os bandidos presos em São Paulo fizerem um jejum para pedirem sua libertação", acrescentou Lula.
Essas declarações causaram numerosas críticas ao presidente, até de dissidentes cubanos, que ainda assim voltaram a pedir que ele interceda ante o presidente de Cuba, Raúl Castro, em favor dos presos políticos na ilha.
Uma moção semelhante a aprovada nesta quinta no Senado foi vetada na quarta pela maioria governista na Câmara de Deputados.
O autor da proposta, o deputado Raul Jungmann, do PPS, decidiu então entregar a Presidência uma cópia de uma carta em que os opositores cubanos pediam ajuda de Lula, em vésperas de uma visita que o líder brasileiro fez a Havana em fevereiro.
Na ocasião,Lula afirmou que não havia recebido nenhuma carta de dissidentes pedindo que advogasse pelo preso político Orlando Zapata, que morreu após uma longa greve de fome um dia antes da chegada do presidente a ilha.
O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, confirmou nesta quinta que a carta entregada por Jungmann foi recebida, mas disse que Lula ainda não a leu.
Baumbach também disse que o Brasil é regido "pela não ingerência em assuntos internos em outros países" e afirmou que "será esse mesmo princípio que guiará a reação do presidente Lula, também neste caso".

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