segunda-feira, 8 de março de 2010

Fernando Sarney - Sinais exteriores de blindagem

  • 8 de março de 2010| Por João Bosco Rabello
  • Há pelo menos sete meses a Polícia Federal sabe sobre movimentações milionárias do empresário Fernando Sarney no exterior.

    É dessa época, mais exatamente do dia 16 de julho de 2009, matéria do repórter Rodrigo Rangel no Estadão revelando, em primeira mão, remessa de U$ 1 milhão do empresário para a China.

    Matéria do Estadão da edição do dia 16 de julho de 2009.

    Matéria do Estadão da edição do dia 16 de julho de 2009.

    Detectada pela PF na Operação Boi Barrica, a remessa deu origem a um rastreamento de contas e a um pedido de ajuda ao governo chinês para encontrá-las, noticiados pelo jornal na mesma edição e matéria.

    A PF já dispunha de e-mails do empresário e escutas telefônicas que indicavam um cenário mais amplo de possível lavagem de dinheiro, com origem em negócios envolvendo recursos públicos e tráfico de influência.

    Dias depois o jornal foi notificado sobre a censura determinada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

    Ele proibiu a divulgação, por qualquer meio, de qualquer informação constante da operação Boi Barrica.

    Blindou os Sarney, pai e filho, com o benefício do sigilo de justiça que não deveria ser estendido aos casos em que o interesse público se impõe.

    A decisão coincidiu com o público e notório empenho pessoal do presidente Lula de dar sustentação ao então recém-eleito presidente do Senado, José Sarney.

    O tempo passou, Fernando Sarney finge alma democrática desistindo da censura e o ministério da Justiça nega qualquer resposta da ajuda pedida à China.

    Como movimentações financeiras passam por contas bancárias e a PF tem as informações muito antes do jornal, é razoável a interpretação de que se assiste a um clássico episódio de blindagem política.

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