quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Silêncio brasileiro em Cuba

Fernando Gabeira
No momento em que Lula e sua comitiva desembarcam em Havana, morre numa greve de fome o prisioneiro político Orlando Zapata Tamaya.
É um fato gravíssimo que coloca em suspenso a posição brasileira sobre direitos humanos. Lula deve silenciar sobre o tema? Deve ouvir o apelo de 50 presos políticos que pedem ajuda ao Brasil?
Na minha opinião, independente da esquerda e da imprensa brasileira, é um fato escandaloso. A própria mãe de Orlando Zapata, Reina Tamaya afirmou que seu filho foi assassinado na cadeia, pois, uma longa greve de fome poderia ter esse desfecho somente com a indiferença do governo.
É a segunda vez, desde 1972, que um prisioneiro morre fazendo greve de fome em Cuba. O primeiro foi Pedro Luis Boitel, que fez oposição à ditadura de Batista e, depois, ao governo de Fídel Castro.
O silêncio brasileiro diante da morte de um prisioneiro em Cuba reflete apenas uma longa distorção no modo como se aborda o problema de direitos humanos. Numa ditadura de direita, qualquer violência é denunciada; numa ditadura de esquerda qualquer violência é apenas uma necessidade histórica.

Um comentário:

  1. É por isso que afirmam que nosso país é um país democrático, mas apesar de algumas mudanças feitas acho que ainda não podemos fazer essa afirmação.
    Muuuuuuuuuuuita mudança ainda precisa ser feita!

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